Por  Ana Paula da Silveira Cordeiro

 

Algumas palavras da psiquiatria entraram com força no vocabulário popular: depressão, bipolaridade, T.O.C., compulsão… Boa parte das pessoas já ouviu falar de alguém com uma dessas condições, ou até mesmo se define como portador de um desses males… “ – Acho que sou bipolar… tem dia que estou triste, tem dia que estou alegre…”; ou então: “ –  Ah, eu tenho T.O.C. de limpeza… não consigo ver uma louça na pia…”

 

Mas você sabe realmente o que são esses transtornos? Vamos aprender sobre eles, então?

 

Hoje falaremos sobre o T.O.C., que na verdade é a sigla para “Transtorno Obsessivo-Compulsivo”.

 

O T.O.C. é uma doença psiquiátrica caracterizada por “idéias, fantasias, imagens obsessivas e por atos, rituais ou comportamentos compulsivos.” (Dalgalarrondo, 2008).

 

E o que isto quer dizer na prática?

 

Uma pessoa que apresenta um quadro de T.O.C. comumente tem seu pensamento invadido por ideias involuntárias, desagradáveis, das quais não possui domínio. São imagens, fantasias, pensamentos persistentes, que surgem de forma recorrente na consciência, ou seja, surgem sistematicamente, repetidamente, não devendo ser confundido com aquelas ideias loucas que nos assaltam o pensamento como fruto de uma insegurança ou preocupação momentânea. A pessoa com T.O.C. não tem domínio sobre seus pensamentos e ações, embora reconheça que muitas vezes não há sentido nelas, mesmo que não consiga contê-las. A forma encontrada para “livrar-se” de tais pensamentos, é através de atos e rituais específicos que, para elas, são como um alívio para a imensa angústia que sentem dentro de si.

 

Uma outra característica do quadro, é o caráter repetitivo e sistemático das ações.

 

Vamos a um exemplo simples. Uma pessoa tem uma ideia fixa de que sua casa será assaltada. Ela não vive em local de risco, sua casa é protegida com alarmes, trancas, cachorro bravo, policiamento – e ela sabe bem disso – porém a ideia de que um assalto acontecerá, inclusive com detalhes e imagens do ato acontecendo, diariamente invadem seu pensamento de uma forma constante, persistente. E por mais que ela saiba que está protegida, não consegue se livrar do pensamento. Então, para se livrar do tormento, ela decide checar 10 vezes se a porta de sua casa está bem fechada. E isso se dá não somente quando ela sai de casa, mas também quanto está em casa. Então ela abre e fecha a porta de casa 10 vezes, cada vez que o pensamento invade sua mente. Ela não sabe o porquê disso, ela sofre com isso, se cansa… mas se não abrir e fechar a porta, não se sentirá tranquila, sentirá como se a casa estiver desprotegida e que por isso será assaltada.

 

 

Um outro exemplo é alguém que acredita ter contraído uma doença qualquer e que para se livrar do vírus, tem que lavar suas mãos vigorosamente. E ela lava as mãos, 2, 3, 4… 20 vezes por dia. Suas mãos se irritam, descamam, sangram… mas se não as lava, a doença entrará em seu corpo.

 

A pessoa vive um ciclo de ansiedade e angústia. É a angústia pelo pensamento ruim que a invade. E a angústia pelo ato “anormal” que praticam. Porém, se não o faz, o pensamento persiste e ela acredita que irá enlouquecer… Suas relações sociais são extremamente afetadas e o medo, a culpa e o sofrimento passam a acompanhá-la a todo o tempo.

 

Naturalmente podemos perceber que há nestas pessoas uma alteração do juízo, ou seja, elas perdem a noção da realidade e não conseguem lidar com as situações e consigo mesmas de uma forma não prejudicial. Daí a necessidade de um apoio específico, medicamentoso, a cargo de um médico psiquiatra. A psicoterapia entra em conjunto ao tratamento psiquiátrico pois, enquanto a medicação atua no sistema nervoso central atenuando os sintomas decorrentes da ansiedade, a terapia irá trabalhar todo o sistema de crenças, valores e atitudes, de modo que a pessoa volte a uma condição de equilíbrio.

 

Portanto, se conhece alguém que vivencia situações semelhantes, que estejam trazendo prejuízos a si e aos que com ela convivem, sugira o apoio profissional. Não há mistério, não há o que ter medo. Quanto mais cedo ocorre a intervenção, maiores são as chances de retomada da rotina e da plenitude da vida.

 

Até a próxima!

 

Quer saber mais?

http://www.ufrgs.br/toc/

http://www.ufrgs.br/toc/index.php/sobre-o-toc/5-o-que-e-o-toc-e-quais-sao-os-seus-sintomas.html

http://drauziovarella.com.br/letras/t/toc-transtorno-obsessivo-compulsivo/

 

Bibliografia:

Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. ed. Porto Alegre : Artmed, 2008.


Saiba mais sobre a Psicóloga Ana Paula da Silveira Cordeiro

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